Para aqueles que ainda não conhecem ou gostariam de rever a primeira etapa de nossa viagem, é só clicar em:
http://casalnaestrada.blog.terra.com.br
Em sete meses, rodamos mais de dez mil quilômetros do Maranhão ao Rio Grande do Sul.
DIÁRIO 41 PARTE 1
Segunda, 10/11/08. Iniciamos hoje uma viagem dentro da nossa viagem. Enfim a Patagônia. As distâncias são enormes. Serão quatro dias somente de estradas para chegarmos a El Calafate.
Saímos do estacionamento do aeroporto de Bariloche direto para a ruta 40, direção a El Bolson.

O visual da estrada é maravilhoso. Sempre margeando lagos, admirávamos as gigantescas montanhas e o exuberante verde das matas.


El Bolson é uma pequena cidade encravada no vale com avenidas largas, bastante flores e famosa por suas geléias artesanais encontrada em todo canto.



Almoçamos no Jauja, um restaurante bem transado com uma sorveteria e loja de chocolates em anexo.
De El Bolson a Esquel o visual muda rapidamente como um passe de mágica. Os lagos desaparecem, as montanhas diminuem de tamanho, as curvas são substituídas por retas enormes e as matas dão lugar a uma vegetação rasteira.
Agora sim nos sentimos na Patagônia.

Demos uma volta em Esquel, nada a comentar senão nossa surpresa ao tentar abastecer. Preocupado com a distância entre os postos na região patagônica, sempre que há oportunidade, completamos o tanque. Entramos num posto PETROBRAS e chegando nossa vez o frentista mostrou um papel colado na bomba que informava: “Segundo a resolução 959/06 o diesel vendido para veículos com patente (placas) estrangeiras será cobrado $ 3,450/litro”. O preço cobrado na bomba é $ 2,044/litro. Para nós, 69% mais caro.
Alô policia!!!!!!! Isso é permitido????????
Como ainda estava cedo, rodamos até a minúscula Tecka e pernoitamos no posto YPF sem luz nem internet.
Total de km rodados: 420.
Terça, 11/11/08. Um alerta para quem viajará por essa região. Muita atenção com o combustível. O abastecimento dos postos é precário e vários estão sem diesel.
O asfalto está muito ruim. Alguns trechos estão sendo asfaltado novamente e somos obrigados a rodar vários quilômetros por desvios de rípio. A paisagem é bucólica e a viagem se torna monótona.
Passamos por Sarmiento, mas não entramos. Mais adiante aparecem centenas de poços de petróleo.

Reencontramos o Oceano Atlântico próximo a Comodoro Rivadavia.

Tomamos então a direção sul passando por Rada Tilly e pernoitamos no posto YPF na entrada de Caleta Olivia. Tivemos muita sorte. O posto estava recebendo combustível naquele exato momento. Entramos na fila e depois de abastecer, o boa praça Daniel (frentista) disponibilizou água e luz, mas nada de internet.
Total de km rodados: 545.
Quarta, 12/11/08. Após completar a caixa d’água, estrada novamente. Passamos pelo centro de Caleta Olivia e aos poucos nos afastamos do litoral. Lembram quando comentei das enormes retas??? Esqueçam. Agora sim as retas são enooooooormes. Até onde a vista alcança, a paisagem é a mesma. Uma enorme planície rasgada pelo asfalto.

Falando em asfalto, esse trecho está um tapete, mas devido aos fortes ventos, a viagem se torna cansativa e aparenta não render.
Impressionante a quantidade de veículos na estrada. Segundo os vários relatos que li, imaginava encontrar uma Patagônia deserta. Acho que mais gente também está querendo chegar ao fim do mundo.
Observamos alguns guanacos correndo ao lado da rodovia e dezenas de coelhos mortos no asfalto.

Paramos para almoçar num posto YPF em Três Cerros onde havia sinal de internet. Na saída observamos que Três Cerros se resume ao posto.
O vento ficou muito mais forte e dirigir ficou mais difícil. Com as mãos, braços e pescoço doloridos, decidimos pernoitar num YPF em Comandante Luís Piedra Buena.


Estacionei ao lado de um MH alemão, mas tivemos de mudar de local. O vento era tanto que não conseguíamos abrir a porta. Mais tarde os alemães mudaram-se para o nosso lado. É o casal Paul e Silvia. Durante cinco semanas atravessaram o Oceano Atlântico até Buenos Aires e ficarão três anos rodando pela América do Sul.


Enquanto escrevia o diário, observava da janela a lua cheia saindo por detrás das montanhas.

Nada de internet e nem pedi energia. O vento está muito forte.
Total de km rodados: 471.
Quinta, 13/11/08. Foi tanto vento essa madrugada que, mesmo protegidos por uma parede e com os macacos hidráulicos acionados, o MH balançava. A sensação era que estávamos em um barco bem no meio de uma tempestade.
Com sol forte e muito frio partimos para mais uma etapa até El Calafate. O asfalto continua perfeito e o vento constante. Próximo a Rio Gallegos saímos da ruta 3 e pegamos a ruta 5 sentido oeste, novamente em direção às Cordilheiras.


Cruzamos com um casal jovem que mal conseguiam se equilibrar em suas bicicletas devido ao vento forte e gelado.
Vários pensamentos me vieram à mente:
Quantas estórias eles terão para contar? Será que horas ou datas fazem alguma diferença? Qual o valor que darão para uma boa cama? E para um prato quentinho de comida?
E o futuro? O que estarão fazendo daqui a 10, 20 anos? Será que depois dessa experiência, conseguirão ficar oito horas por dia dentro de um escritório?
Acho que a Patagônia está afetando minhas idéias.
Abastecemos e almoçamos em La Esperanza. Agora só faltam 170 km.


continua…