23 23UTC novembro 23UTC 2008

DIARIO 2 PARTE 2

DIÁRIO 42 PARTE 2

continuação

Quarta, 19/11/08. As cinco da matina aquele filho da mãe do passarinho começou a bicar as janelas e os espelhos novamente não nos deixando mais dormir. Não adiantava espantá-lo. Dez minutos depois ele voltava a bicar os vidros.
De pé contra vontade e tendo muito rípio pela frente, deixamos Torres Del Paine mais cedo que o previsto. Nos primeiros quilômetros de trelados, desistimos de conhecer o lago e glacial Grey. Seriam quase 50 km (ida e volta) de rípio.
Percorridos somente 18 km em uma hora, desisti de ficar olhando o odômetro e passei a me concentrar somente na paisagem que é belíssima.

Depois de algum tempo (muitooooo tempo), chegamos à Cueva del Milodón, uma caverna enorme onde viveu um animal pré-histórico chamado Milodón.

Mais oito km de rípio e chegamos ao paraíso. ASFALTO. Que delicia. Nenhum trelado, 100 km/h e nada de poeira.
Chegamos a Puerto Natales às treze horas e eu pensei: “Ou o Chile entrou em guerra com a Argentina ou deram algum aviso de terremoto”, pois não havia uma única viva alma na cidade. Só então caiu a ficha: Era a sagrada hora da siesta.

No restaurante La Última Esperanza, matamos a saudade do loco e da centolla.

Fizemos nossa siesta também e depois de checarmos os emails e umas comprinhas no supermercado, mais 250 km até Punta Arenas.
Chegamos às 21:00 h da tarde (isso mesmo, o sol ainda estava alto) e pernoitamos num posto COPEC com luz, entre a zona franca e o centro.

Quinta, 20/11/08. Tem alguns lugares que por algum motivo às vezes inexplicável, gostamos ou não. Puerto Natales e Punta Arenas caíram na nossa graça. Cidades agradáveis e povo hospitaleiro. Por quatro vezes utilizamos taxi hoje e todos os quatro motoristas gente-finíssima.
Fomos ao centro e tentamos em uma agência, um passeio para ver pingüins na ilha Magdalena, mas a temporada de visitas só inicia em dezembro.
Na belíssima Praça Muñoz Gamero está o monumento a Fernão de Magalhães e diz a lenda que quem passar a mão no pé do índio, voltará um dia a Punta Arenas. É lógico que esfregamos o pé do cidadão.

Centro visitado, seguimos para a zona franca para umas comprinhas básicas.
Jantamos no La Luna, um bar-restaurante bem transado que além da decoração bem legal, tem uns mapas nas paredes onde o cliente coloca um alfinete sobre sua cidade de origem.

Pela quantidade de alfinetes, já foi visitado por gente do mundo inteiro.

Sexta, 21/11/08. Ontem, quando voltamos do La Luna, notamos que desligaram nossa energia. Hoje quando nos preparávamos para sair, apareceu um engomadinho perguntando quem autorizou estacionarmos ali, pois não era permitido. Pois é, toda regra tem exceção. Nem todos são gente-fina. Então pessoal, esqueçam da dica do COPEC, ok?
Outra passadinha na zona franca e fomos conhecer a pinguineira Seno Otwai acreditando no agente de viagem que seriam somente 16 km de rípio e um passeio imperdível. Só para chegar à pinguineira foram 38 km de trelado e poeira, $ 11.000,00 de ingressos, uma caminhada de mil metros num vento gelado de rachar sob uma fina garoa para vermos meia dúzia de pingüins.

Até nas prateleiras das Casas Bahia já vi mais pingüim do que em Seno Otwai.
No stress… Esses micos fazem parte. Voltando os 38 km, rodamos mais uns 150 km até a balsa, atravessamos o Estreito Magalhães e colocamos os pés, ou melhor, os pneus na Tierra Del Fuego.

Seguimos até Cerro Sombrero e agora sim, pernoitamos num COPEC com água e luz.
Conhecemos o chileno Eduardo Silva, isso mesmo, Silva. Ele mora num motorhome construído por ele mesmo, passa o ano rodando no Chile vendendo livros e nos presenteou com o Manual Del Parrillero.

O fim do mundo está chegando, ou melhor, nós estamos chegando ao fim do mundo.

criado por termac    15:43 — Arquivado em: Sem categoria

5 Comentários »

  1. Comentário por Rogério — 23 23UTC novembro 23UTC 2008 @ 19:46

    Esta dos pongüins, foi muito mico, pois aqui em Floripa não pagamos nada e ainda mandamos de volta pra aí mais de trezentos daqueles bichinhos ehehehe.
    Abraço,
    Rogério.

  2. Comentário por João Leopold — 24 24UTC novembro 24UTC 2008 @ 12:54

    Definitivamente assombrado pela excepcional qualidade da narrativa e fotografias desta viagem de vocês e muito mais com esta energia aparentemente inesgotável que vocês apresentam.

    Este caminho que vocês fizeram para Punta Arenas não sabia possível, então vocês atravessaram para a Terra do Fogo por Punta Arenas?

    Viajar para aí usando o blog de vocês vai ser uma ótima experiência!

    Suerte!

  3. Comentário por Roberto e Sílvia — 25 25UTC novembro 25UTC 2008 @ 0:15

    Olá Fernando e Andréa,
    Quanta inveja, fizemos o mesmo caminho ao contrário com a diferença que paramos em Puerto Natales e ficamos três noites por lá.
    Estou viajando novamente com vocês, a Patagônia, Chilena e Argentina, é mesmo um lugar único e deslumbrante.
    Suas fotos e a narrativa são sempre muito instigante, e revelam o grande prazer que é a viagem de vocês.
    Um abraço,
    Roberto e Sílvia

  4. Comentário por Paulo Leonel — 25 25UTC novembro 25UTC 2008 @ 9:03

    Parabéns!Além de saberem aproveitar a vida,voces sabem escrever(transmitir)emoção e felicidade e ainda por cima com bom humor.Breve estou nessa tambem..Falta pouco.Paulo Leonel.

  5. Comentário por hélio — 27 27UTC novembro 27UTC 2008 @ 22:28

    B. dia. Não acredito que vcs conseguiram atravessar Cordilheira dos Andes (e sairem vivos) e não souberam se livrar de pássaro brigando com o espelho. A solução é simples: Porque não cobriram o espelho com sacolas de supermercado, toalha, etc? Sem a imagem refletida no espelho, sem bicadas nele…O que significa “Estrada de Rípio” ? Seria “Estrada de Terra” ? ou Estrada de “Chão Batido” ? e “Trelado” ? seria bêbado (s) ? B. sorte, com desculpas pela intromissão. Abs, Hélio.

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